segunda-feira, 14 de julho de 2014

É Vero! #47 - Pernas, pra que te quero?

Cresce no Brasil e no mundo o número de pessoas que escolhem a bicicleta como transporte alternativo para as obrigações diárias.



A velha bicicleta que já foi exclusividade da elite quando de seu invento, tornou-se depois, símbolo proletário, sendo largamente usada pela classe operária em meados do século passado. Abandonada por todos em favor de um sempre deficiente transporte coletivo, das grandes distâncias,  de trajetos impróprios divididos com número crescente de carros cada vez mais potentes. Voltam agora a um lugar de destaque na vida das cidades e dos que querem ter uma vida mais saudável, preservando o meio ambiente e a valorização da saúde e do bem-estar.

Ela deixa de ser simplesmente lazer ou esporte pontual para se tornar parceira em tarefas cotidianas que não exigem percursos longos ou arriscados.

Algumas cidades são mais propícias para este tipo de transporte – planas, projetadas, trânsito menos nervoso e em média velocidade etc., desde que o tempo permita e o traje possa ser facilmente adaptado.
 

O Brasil é um país repleto de planaltos e planícies e muitas regiões brasileiras apresentam cidades com essas características, propiciando o uso crescente das “magrelas” no cotidiano. Muitos outros lugares cuja administração pública se empenha nas questões sustentáveis tem investido também em diferentes tipos de empreendimentos, como ciclovia, ciclorrota, ciclofaixa ou espaço compartilhado. E junto, diferentes investimentos em locação ou empréstimos de bicicletas, a exemplo do que vem acontecendo em várias partes do mundo.


Amsterdam, Barcelona, Berlim, Cidade do México, Londres, Madri, Montreal, Nova York, Paris, Tóquio e Viena são exemplos, entre tantas referências bem-sucedidas pelo mundo, onde existem esse sistema desde o século passado. No Brasil, com início há uma década, estamos vendo crescer a cada ano, com diferentes patrocínios, as iniciativas públicas e até mesmo particulares, como em grandes condomínios.

Elas já estão em Belo Horizonte, em Porto Alegre, no Rio de Janeiro, em São Paulo. Em Brasília, a mais recente das cidades brasileiras a implementar este projeto, acabam de inaugurar o sistema de compartilhamento de bicicletas – Bike Brasília, previsto para 40 estações, com 400 bicicletas à disposição da população até o final do ano.

Por enquanto com 20 estações (com 10 bikes fixas em cada estação e mais duas baias vagas para o rodízio) localizadas ao longo do Eixo Monumental e adjacências (veja mapa), pretende ter estações também em pontos turísticos ao longo das asas Norte e Sul.

Ideal para o turista disposto a pedalar, visitando os principais cartões postais de Brasília ao longo do eixo monumental, pode ser usado também por moradores do entorno ou das redondezas que não conseguem chegar no trabalho em uma caminhada ou com só uma viagem de ônibus. Eles podem tirar uma bike na rodoviária ou outro ponto e deixá-la mais próxima ao seu local do trabalho ou dos estudos, tornando assim boa alternativa para pequenos trajetos.

O projeto funciona assim.

- Para se inscrever é necessário cadastrar-se pela internet, informando o número da carteira de
identidade, do CPF, do telefone celular, do cartão bancário  e o endereço.
 
- Também pode se cadastrar pelo aplicativo para smartphones , ou ligar para o telefone (61) 4003-9846 , fornecendo a mesma documentação.

- Paga-se através do cartão bancário, uma taxa de R$10,00 por ano. Esta taxa dá direito a pegar uma bicicleta numa das estações e devolver, no máximo, 1 hora depois na mesma ou em qualquer outra estação, quantas vezes forem necessárias.

- Se quer prosseguir após uma hora, é preciso devolvê-la e aguardar 15 minutos para retirá-la de volta, também quantas vezes forem necessárias, ou então, pagar uma taxa-extra (multa?) de R$5,00 por cada hora a mais, a ser descontado automaticamente do cartão fornecido no ato da inscrição.

- Antes de retirar a bicicleta, escolha a que lhe parece melhor verificando os pneus, a corrente, os acessórios, e só a retire se estiver ok.

- Para retirar a bicicleta (das 6 às 24horas), basta ligar para o mesmo número da inscrição ou entrar no tal aplicativo, digitar o número da estação em que se encontra, número da baia da bicicleta, sua senha e seguir as instruções ditadas até que se acenda uma luz verde ou sinal sonoro indicando para retirar a magrela.


- Para devolvê-la, basta encaixá-la corretamente em uma baia vazia e verificar se foi bem travada. As bikes e as baias são alimentadas por energia solar e conectadas via wireless com todas as estações e a Central, durante as 24 horas do dia.

- Em cada estação, além das bikes em suas baias, existe um totem explicativo e com mapa da rede viária bem como os locais de cada estação.

- A Central monitora tudo em tempo real, garantindo atendimento ao usuário por celular, inclusive informando se existe ou não disponibilidade em determinada estação e controlando, também, os trabalhos de conservação e redistribuição de todo o equipamento.

Além de todo o conjunto de facilidades oferecidos pelo projeto, que em cada cidade tem um nome (Bike Brasília, Vá de Bike, iDBike, De bike para o trabalho etc.), ainda o ciclista pode contar com a ajuda de grupos ou ONGs envolvidas com sustentabilidade e vida saudável. A ONG Roda da Paz conta com os Bike Anjos. Experientes, os Bike Anjos mostram aos ciclistas iniciantes como pedalar seguro, driblando ruas com movimento intenso, pisos esburacados ou acidentados, como sinalizar manobras, atravessar faixas de pedestres etc., visando uma convivência pacífica no trânsito. Eles atuam em vários estados do Brasil. Confira aqui www.bikeanjo.com.br.

Também empresas, escolas, comércio e diversão  investem neste segmento, sinalizando e facilitando
pistas próprias, oferecendo estacionamento (bicicletário) para as magrelas, fazendo promoções para os usuários, promovendo encontros  e até mesmo mantendo-as para empréstimo. Veja na página www.bikeit.com.br/brasilia os estabelecimentos simpatizantes. Para participar de todas as vantagens, colaborando com um transporte saudável e não poluente, nem precisa usar a bike compartilhada. Pode ser a própria.

Entre os cuidados sugeridos pelos Bike Anjos, para maior segurança, estão o conhecimento e planejamento da rota, escolhendo vias mais vazias, abusando da sinalização antecipada dos movimentos que fará no trânsito, além de muita atenção nos cruzamentos.

O Código de Trânsito Brasileiro e a nova Lei de Mobilidade Urbana protegem os ciclistas determinando que os motoristas dos demais veículos devem manter uma distância mínima de 1,5m entre o veículo e o ciclista e devem ceder a passagem a pedestres e ciclistas em manobras e mudanças de direção e devem zelar pela segurança dos não motorizados.

Enfim  as bicicletas constituem um meio alternativo de transporte  para viagens mais curtas, que, de outra forma, seriam feitas por veículos motorizados, diz Clarisse Linke, diretora do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento - IPTD, organização social que promove transporte sustentável e equitativo com os objetivos a seguir.

- Melhorar a acessibilidade em geral.

- Aumentar o alcance dos sistemas de transporte de massa, reduzindo engarrafamentos e a poluição ambiental.

- Melhorar a imagem do ciclismo, promovendo maior humanização e responsabilidade social.

- Melhorar a saúde dos cidadãos, combatendo o sedentarismo.

- Atrair novos adeptos.

Resta aos usuários deste sistema ou quaisquer ciclistas por opção, fiscalizar, identificar e informar problemas para correções, valorizando-o ainda mais. Para isto, os pontos que devem ser sempre avaliados são:

- a distância entre as estações difíceis de serem percorridas a pé;

- a relação de número de bicicletas oferecidas e a demanda de saída e entrada, que  devem ser coerentes com o fluxo da área;

- a existência de estações em endereços com atrativo turístico ou de grande acesso escolar, profissional ou terminais de transportes coletivos (metrô, rodoviária);

- a qualidade dos equipamentos e sua manutenção para que estejam sempre atraentes, firmes e tenham acessórios práticos (cestinhos para pequenos objetos, cobre correntes e paralamas, sistema refletivo e sonoros, selim com ajuste e confortável, cores bem visíveis etc.);

- um sistema de comunicação sem falhas para que ninguém fique sem poder retirar ou devolver um equipamento pelo fato de o sistema estar “fora do ar”.

 

 
Saiba mais:

Correio testa sistema de aluguel de bicicletas e anda por ciclovias

Guia de planejamento de sistemas de bicicletas compartilhadas


Por Claudia Veronese

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