O Desenvolvimento Sustentável começou a ser citado, oficialmente, durante os trabalhos da Eco 92. Duas décadas depois, na época do Rio+20, tínhamos um aumento de mais de 1 bilhão e meio de vorazes consumidores no planeta. Crescemos em ritmo cada vez mais acelerado, pressionando os sistemas naturais da produção, causando grande impacto na relação fome/desperdício no mundo. Com a industrialização de produtos antes somente familiares, trazendo comodidade no corre-corre dos dias atuais, as pessoas que investem na maneira tradicional de consumo, pensando em saúde e qualidade de vida, acabam desperdiçando cerca de 1/3 de todo o alimento consumido.
Enquanto isso, 1/3 da população do planeta passa fome.
O homem começou a poluição. O homem pode acabar com ela. Pequenos atos
de consumo verde, sustentáveis são importantes para uma vida com
consciência.
Aqui no É Vero falamos com frequência desses assuntos.
Falamos como podemos colaborar na redução de lixo (É Vero! #35);
em reciclar produtos e alimentos (É Vero! #2, #6, #12, #17, #42);
economizar nos recursos naturais (É Vero! #7, #8, #37, #47);
economizar nos gastos com alimentação (É Vero! #44).
E ainda podemos falar muito mais, como compartilhar produtos de grande impacto, como: dar caronas ou usar o transporte coletivo; renovar e reciclar produtos duráveis ao invés do uso indiscriminado de descartáveis; usar mais produtos de produção local, gerando mais empregos; ou aproveitar de modo eficiente os alimentos.
Aproveitamento eficiente não significa simplesmente não “ter os olhos maior que a barriga” e comer toda a comida do prato ou aproveitar para amanhã o “soborô”. A prática chamada Aproveitamento Integral dos Alimentos – AIA prega o aproveitamento de tudo que o alimento pode oferecer: cascas, entrecascas, folhas, talos e sementes se vegetal e gorduras, carnes, ossos e outros se animal.
Pense sempre que 1quilo de carne gasta cerca de 50 vezes mais água para ser produzido que 1 quilo de vegetal. E se ambos não estiverem perfeitos de acordo com a expectativa do consumidor, sequer chegam às prateleiras dos supermercados, sendo rejeitados antes de saírem dos campos produtores. E entre os que chegam à casa dos consumidores, mais de 30% acabam descartados por motivos variados, além da perda nesse intervalo. Pense também nas imensas bancadas de hortifrutigranjeiros dos supermercados e imagine se todo aquele alimento será consumido antes que se estraguem.
Com cuidados extras na higienização, menos preconceito e criatividade, podemos fazer nossas compras pesarem menos no bolso, renderem mais no prato e agredirem menos nosso planeta.
Vejamos alguns conceitos e algumas dicas para colaborar no DESPERDÍCIO ZERO em nossas casas.
SOBRAS – O alimento que foi preparado e exposto nas panelas ou travessas, mas não chegou a ser servido individualmente. São sobras limpas que podem ser aproveitadas quando armazenadas corretamente, no tempo certo e sob refrigeração.
RESTOS – O alimento que foi preparado e servido, mas não foi consumido totalmente. Sobrou no prato e deve ser descartado.
ALIMENTO NÃO CONVENCIONAL – Partes dos alimentos que são geralmente descartados por desconhecimento, preconceito ou cultura, normalmente podem ser consumidos junto com o próprio alimento fornecendo benefícios extras. Com o AIA, ganhamos em nutrientes, vitaminas, fibras, minerais e... no bolso!
Seguem as dicas.
- Faça listas de compra e ajuste-as de acordo com a necessidade de sua casa.
- Determine o intervalo entre suas compras e a quantidade ideal para o seu consumo.
- Quando for escolher frutas, verduras ou legumes para comprar procure não apertá-la ou manuseá-la muito, inutilizando-a para qualquer outro comprador.
- Diminua o consumo de água na pia da cozinha otimizando o processo de lavagem quer de verduras, quer de legumes, quer de resíduos e utensílios.
- Faça cozimentos com panela tampada para eco-nomizar tempo e energia.
- Quando tiver grande oferta de um alimento, procure na internet como aproveitar as partes ‘menos nobres’ delas ou como conservá-las por mais tempo sob refrigeração.
- Planeje o cardápio semanal, pensando no aproveitamento com o mínimo de resíduos. Por exemplo:
• Se comprar um frango inteiro, faça filés com o peito, faça assado com as coxas e contracoxas, e faça refogado ou canja com as asas, o pescoço e as costelas. Se ainda assim, sobrar, desfie para torta, omelete ou para enriquecer o arroz;
• Aproveite sobras de pão (trituradas) para empanar os filés de peito do frango;
• Aproveite o forno ligado para assar coxas e faça um suflê de sobras ou talos de legumes;
• Use sobras de arroz para fazer canja;
• Se usar batatinhas na canja, lave-as muito bem antes de descascar e aproveite as cascas para fritar ou engrossar um caldo qualquer, triturando-as após cozidas.
• Se precisar preparar quantidade maior do que vai consumir, separe o excesso em porções e congele-o adequadamente, etiquetando com informações sobre o destino final (data e sugestão para o próximo uso).
• Procure consumir primeiro o que estraga mais rápido, deixando para depois os mais resistentes.
• Sempre que armazenar novas compras, veja a validade e passe as mais velhas para a frente. PePs – primeiro que entra primeiro que sai.
• Sempre que descascar quaisquer vegetais, lave-os muito bem antes e guarde as cascas ou sementes em plásticos fechados para processar e usar em outro preparo.
• Talos e cascas podem virar doces, sucos, bolos, vitaminas e podem ser conservados.
• Cascas e algumas sementes (goiaba) podem virar geleia, gelatina ou suco.
• Cascas de banana possuem 3x mais potássio que sua polpa. Use-as para bolo, bifes (fingido) à milanesa, farofa, para enriquecer misturas à base de chocolate (brigadeiros, musses), caldas...
• Cascas de abacaxi possuem o triplo de fibras que sua polpa. Aproveite em sucos (cru ou aferventado), chás, gelatinas (sempre fervidos), caldas, licores.
• Cascas de cítricos – odorizador ou porta incenso, geleia, crisps cristalizados, bolo, aromatizador de pratos doces ou salgados.
• Semente de abóboras podem ser torradas para aperitivo ou tornarem-se farinha multimistura.
• Cascas de legumes raladas ou trituradas servem para colorir arroz, engrossar molhos e sopas, cremes, chips, bolinhos. Podem-se usar também os miolos e as sementes verdes de abobrinha ou berinjela.
Folhas de legumes – cenouras, beterrabas, rabanetes podem se usados em refogados, saladas, sopas e sucos com cítricos.
• Talos de verduras e legumes – agrião, brócolis, couves, alcachofras podem ser usados em refogados, saladas, sopas ou sucos com cítricos. Podem também forrar fundos de assadeiras para um assado longo, dando mais sabor e evitando que grude no fundo.
Pratique o consumo consciente!
“Não há atividade sem impacto no meio ambiente. Tudo gera algum resíduo, seja na cadeia produtiva, seja no consumo. O consumidor consciente é aquele que tem noção de seus impactos e procura reduzi-los.”
(Stanislaw Maria, Inst Akatu)
Comer de tudo – a melhor alternativa ao desperdício.
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